O Calar da Inteligência
Em um mundo regido pela quantidade, o que ainda nos resta de discernimento?
“Para o espírito instintivamente utilitarista do ‘público’ moderno, o ‘êxito’ ou o ‘sucesso’ se tornam uma espécie de ‘critério de verdade’”. Isso foi escrito na década de 40 por um homem muito sábio, porém se aplica perfeitamente no mundo atual, onde o critério para aplaudirmos ou escutarmos alguém se resume ao seu número de seguidores, o grupinho em que está inserido, ou o valor possivelmente existente em sua conta bancária (os bons milionários que ostentam as suas vidas luxuosas).
Estamos inseridos em um mundo onde pedimos conselhos religiosos em uma caixinha de Instagram, para uma menina recém-convertida, que transformou a religiosidade em apenas mais um produto. Os critérios da piedade, devoção e caridade foram apagados e hoje o critério é o quanto essa pessoa consegue ostentar e quantos devocionais ela já vendeu.
Ouvimos alguém que se intitula terapeuta porque está inserido dentro de uma bolha específica, mesmo que esta pessoa não tenha a mínima noção entre a relação corpo, alma e espírito, sendo essas e a ligação entre elas a área de principal atuação de um terapeuta. Seria o equivalente a irmos a um cardiologista que confunde o coração com o estômago só porque um influencer com alguns milhões de seguidores o indicou.
A exclusão da nossa inteligência como critério de avaliação, a substituição por critérios apenas sensíveis (coisas que podemos ver, tocar, ouvir...) suprimiu a nossa capacidade de reconhecer a verdade (ou deveria dizer aqui a Verdade, aquela universal, indiscutível). Se vemos que alguém tem muitos seguidores, muito dinheiro, boas conexões sociais, tomamos o que dizem como a verdade, pedimos conselhos, fazemos perguntas íntimas, religiosas, de saúde. Calamos a parte mais elevada do nosso ser e prestamos atenção apenas no barulho causado por esse mundo regido pela quantidade, deixamos que ele dite o caminho que devemos seguir. Estamos jogando fora aquilo que nos diferencia dos animais, a nossa capacidade de inteligir e reconhecer a Verdade.
E por falar em barulho, esse é um outro assunto que dá pano para manga.

